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Lazy Lover Undercover

Lazy Lover Undercover

Parece que o mundo é dos homens e não há nada a fazer

Há dias, em conversa, contava a notícia que li sobre a rapariga que foi violada na casa de banho de uma discoteca, em Gaia, quando estava inconsciente, e que o tribunal condenou a pena suspensa os dois homens que a violaram, considerando ter havido "sedução mútua". Fiquei escandalizada, quando li a notícia, mas mais ainda com as respostas que recebi, depois de a contar: "e o quê que ela foi fazer a essa discoteca?" e "ah, se antes disso se meteu com eles, não interessa". Uma tradução para isto é: "ela estava a pedi-las". Ditas por homens. Pelo meu pai e pelo meu irmão. Nem parece que têm filhas/ irmãs/ namoradas/ esposas. 

 

Revolta-me a maneira como facilmente se assume e defende que as mulheres estão a pedir as coisas más que lhes acontecem. Portugal é um país machista, não há dúvida. É como o táxista que, em dia de greve, diz em directo para a televisão que "as leis são como as meninas virgens, existem para ser violadas". Este tipo de comportamento é inaceitável para mim. Mas, pelo contrário, é quase aceite como normal nesta sociedade. Só o facto do homem dizer aquilo conscientemente e da forma mais natural possível é chocante.

 

Se os homens sentissem na pele as coisas pelas quais as mulheres passam e que eles nem sequer imaginam... Tenho medo deste mundo. Parece que o mundo é deles e não há nada a fazer. O facto de acharem que podem fazer tudo, que dominam tudo, que as mulheres perdem os direitos delas, consoante as vontades deles, seja em que situação for, é revoltante. Que se acharem que houve insinuação, independentemente de ter havido ou não, então é porque a mulher está a pedir que aconteça alguma coisa e tem de levar a vontade deles até ao fim, quer queira quer não, a bem ou mal. E quanto mais poderosos, mais intocáveis se consideram.

 

A história do Cristiano Ronaldo vem agravar este tipo de reações e mentalidades. A maior parte dos comentários que leio sobre este assunto, deixam-me revoltada. Como é que é possível que homens e mulheres pensem e digam coisas tão asquerosas como as que já ouvi e li. Recusam-se a dar o benefício da dúvida e insultam ao mais baixo nível a mulher que o acusa de violação. Eu entendo que toda a gente é inocente até prova em contrário e isto serve para os dois lados. A ser mentira a mulher sofrerá as consequências, a ser verdade, este ódio todo era a última coisa que ela precisava e o Ronaldo terá de ser castigado. E, acreditem, espero que seja mentira.

 

É urgente uma mudança de mentalidade. 

 

Não sei o que fazer à minha vida

 

 

Estou perdida da vida. Candidatei-me a um estágio na Croácia e, depois de todo o processo de candidatura, fui aceite. Contactei os serviços de relações internacionais da universidade onde estudei, porque se tratava de um estágio para recém-graduados e, apesar de eu ter 12 meses para realizar um estágio deste tipo depois de acabar os estudos, disseram-me que só me podia candidatar à bolsa enquanto ainda estivesse inscrita. Até pode fazer sentido, mas, a partir do momento em que no site não há informação nenhuma relativa a este tipo de estágio e nem a própria universidade informa as pessoas sobre esta possibilidade, não faz sentido nenhum. 

 

Acabo o curso, descubro por mero acaso que existe erasmus para recém-graduados e não me posso candidatar, tinha que me ter "lembrado" mais cedo, enquanto ainda estava a estudar. Tinha que me ter lembrado de uma coisa que nunca soube em tempo útil.

 

Agora tenho um estágio à minha espera a mais de 2200 km, a começar daqui a menos de 2 meses, e só metade o dinheiro que preciso. Não sei que faça à minha vida.

A novela que é a vida da minha mãe

A minha mãe tem uma história de vida que parece uma novela. Nunca conheceu o pai, só viveu com a mãe até aos 4 anos e depois foi para uma instituição, onde esteve até aos 20 e tal anos, e por onde passou coisas que nem imaginadas. A cada história que me conta, o meu coração aperta mais. Já a aconselhei a escrever sobre esses mil episódios porque passou, acho sinceramente que ia ser uma boa terapia para ela.

 

Ontem, uma prima da terra ligou-lhe e deu-lhe uma grande novidade sobre o pai e sobre a familia dele.

 

A versão que se conhecia até agora era que o pai da minha mãe tinha ido para o Brasil, quando a minha mãe nasceu, e nunca mais tinha voltado. Parece que afinal a história não é bem assim. A minha avó veio do Brasil para Portugal grávida da minha mãe. O meu avô, que era português emigrante no Brasil, não pôde vir logo. Quando já tinha tudo pronto para vir, soube que a minha avó andava metida com um familiar dele e ficou com um desgosto tão grande que não chegou a vir. E nunca mais voltou. 

 

A verdade é que agora os meios irmãos brasileiros da minha mãe a querem conhecer.

 

A minha mãe está curiosa e bastante entusiasmada, embora diga que não. Acredito que esta nova versão dos factos lhe tenha trazido algum alívio e paz, por perceber que a história estava mal contada e que o pai dela até nem era má pessoa.