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Lazy Lover Undercover

Lazy Lover Undercover

Vai ser a covid a ditar o fim da nossa história?

A pior coisa que podia ter acontecido, aconteceu. Estou com covid e infectei o D. Só fui fazer o teste, porque o meu patrão testou positivo. No entanto, o nosso colega, a pessoa que andou doente nestas últimas duas semanas e que mais sintomas teve, testou negativo. Fez um teste por semana, desde que ficou doente, e deu sempre negativo. Não sei se fui eu que infectei o meu patrão ou se foi ele que me infectou a mim. Não senti nada de anormal. Andei com dor de garganta, no início da semana, mas na terça, depois de uns gargarejos com borato de sódio, passou e fiquei fina. Tinha apanhado muito frio, uns dias antes. A água quente falhou-me durante o banho e estive uns 10/15min ao frio, enquanto a minha mãe mudava a botija. Só que a botija estava estragada e o esquentador não ligava. Já para não falar do gelo que é a minha casa e do facto de estarmos no inverno. No fim de semana, andei meia constipada, mas era só isso, ranho.

Era quase certo que, este ano, ia apanhar covid. Mesmo tendo todo o cuidado do mundo. Andei dois anos a passar pelos pingos da chuva. Já tinha tido o meu pai infectado, em 2020, logo durante o primeiro confinamento, e não fiquei. A minha mãe esteve infectada, há dois meses, e também não fiquei. Agora estou eu e eles não. E, pelo caminho, infectei o D.

Estive com ele na sexta, dois dias antes de ele voltar para o país onde trabalha. Ele fez teste antes de ir e deu negativo, mas hoje voltou a fazer e já deu positivo. Sinto-o furioso comigo. Já me desfiz em pedidos de desculpa. Os meus amigos dizem-me que, da maneira que isto está, com esta variante ómicron, ninguém vai escapar e ficar chateado é só parvo. Eu sei que não é e espero que ele não tenha infectado ninguém, muito menos a família dele. Eu não tive comportamentos de risco, a minha vida é só casa-trabalho, trabalho-casa. Ao fim de semana, não saio de casa. Não estou com os meus amigos há séculos, ainda há dias tinha a festa de anos de uma amiga e não fui, entre outros motivos, porque ia muita gente.

Sinto-me horrivelmente mal. Ainda por cima, fui eu que lhe mandei msg a perguntar se não arranjava 5min para um abraço de boa viagem. Depois de ter ido embora, da outra vez, sem se despedir, decidi tomar iniciativa. Maldita a hora. Como é obvio, não o infectei consciente de que o estava a fazer, não foi propositado. Devia ter feito um teste, antes de ir ter com ele? Se calhar, devia. Mas a minha vontade de me despedir dele e de o ver uma última vez, bloquearam-me qualquer pingo de racionalidade. Facilitei a achar que não era nada. Mas, ainda há pouco tempo, tive uma constipação muito pior que isto. Ele tem o direito de estar chateado e de achar que fui uma irresponsável de merda. E tem alguma razão. E, por isso, não caibo em mim de tristeza.

Não abriu a minha última msg e já sei que, nos próximos meses, a não ser que alguma coisa má aconteça, não me vai dirigir a palavra. Depois disto, não me vai querer ver nem pintada. Nunca na vida me vai convidar a visitá-lo. Só quero que esta semana passe rápido, que fique tudo bem, e que o tempo acalme os ânimos. Na semana em que mais precisava de trabalhar e de manter a cabeça ocupada, estou em isolamento. A minha cabeça não pára de imaginar cenários maus, como forma de preparação. Será que, depois de tudo, vai ser este o motivo da rutura definitiva entre nós? Se não sobrevivermos a isto, então, não é mesmo para ser. Já andava mais frio e distante, antes de ir, isto provavelmente foi só a gota de água.

Aliás, sábado fartei-me de chorar. Na sexta, falamos sobre o trabalho e basicamente ficou bem patente que uma relação séria nunca na vida seria possível nos próximos dois anos, no mínimo. E esta situationship não se aguenta tanto tempo. Se calhar, só preciso de amor próprio e esta situação toda vem só trazer-me clareza.

Deixar para não ser deixada?

O D. (daqui e daqui e que tem toda uma tag dedicada) voltou. Depois de 1 ano e meio sem nos falarmos e de 2 sem nos vermos.

Quando estava na Polónia, em dezembro de 2020, ligou-me pelo whatsapp. Fiquei incrédula (no final de 2019, tinha-o bloqueado em todo o lado,  na altura nem tinha whatsapp) e bloqueei-o. Em Fevereiro, uma amiga em comum mandou-me msg a dizer que ele lhe tinha ligado, para lhe pedir para falar comigo. Que me queria pedir desculpa, mas que tinha percebido que eu o tinha bloqueado em todo o lado. Depois de muito matutar, acabei por desbloqueá-lo. Mandou-me mensagens grandes a pedir desculpa e a justificar o lado dele. Respondi-lhe uma vez a dizer-lhe como me tinha feito sentir e nunca mais voltei a dizer nada. Ao fim de alguns meses, falamos pessoalmente. Não nos víamos há 2 anos e fizemos as pazes nesse dia. E, também nesse dia, deixei de o achar uma besta e dei por mim a ficar completamente apanhada, outra vez. Ele, logo a seguir, voltou para o estrangeiro, onde trabalhava, nessa altura. Mas, já lá, disse-me que tinha tido uma ideia louca, mas que nos podia ajudar a finalmente perceber muita coisa. A ideia era eu ir ter com ele e fazermos um viagem juntos por lá. Queria muito ter ido, mas entretanto comecei a trabalhar e as nossas datas não eram compatíveis. Combinámos passar uma semana juntos, quando ele voltasse a Portugal, em Agosto. Acabámos por só passar 1 dia e meio. E, depois disso, esteve duas semanas sem me falar. Mais tarde, disse-me que se quis distanciar para perceber se se sentia bem comigo e chegou à conclusão que sim. Disse-me que gostava de estar comigo e se sentia bem comigo, mas que, dali a umas semanas, ia de novo para fora trabalhar, durante 1 ano, e uma cena à distância era muito fodida. Passámos os dois meses seguintes juntos, uma vez por semana. Nunca em date, nunca a tomar café, nem a beber um copo, nem a passear, nem a ir ao cinema, nada disso.

Esta dinâmica sempre me angustiou. Sempre quis mais. Não digo um namoro, mas pelo menos algo com sentido, que não se resumisse a cama. Eu sei que para ele sou mais do que isso, falamos imenso sobre isto. E ele pode ter muitos defeitos, mas ser mentiroso não é um deles. Chegou a dizer-me, quando me pediu desculpa, que eu era e continuava a ser uma pessoa muito especial para ele e que era em muita coisa a rapariga ideal para ele.

Independentemente de não dar para termos nada sério, nem à distância, no meu entender, dava perfeitamente para termos muito mais do que isto. Mas, deixei-me estar, porque queria aproveitar ao máximo todos os segundos que pudesse passar com ele.

Foi embora e, nos últimos 10 dias em que cá esteve, não arranjou nem 1h para estar comigo e se despedir. Um mês depois, mandou-me msg a perguntar quando é que o ia visitar. Ainda ponderei e vi voos, os preços estavam absurdos e, sem grande conversa, disse-lhe que estava tudo muito caro e que não compensava. Um mês depois, voltou, nem sabia, mas mandou-me mensagem a perguntar se queria ir ter com ele dali a umas horas, eu perguntei onde e lá nos combinámos. Apanhou-me em casa, entrei no carro, esperei que ele terminasse o telefonema que estava a fazer, para fechar a porta do carro. Fechei-a e, quando ia pôr o cinto, ele inclinou-se para me beijar. Fui a medo, aquilo era inédito, nunca nos tinhamos cumprimentado assim, antes. E não foi um, nem dois beijos, foram alguns, fiquei parva da vida e apeteceu-me dizer "eram tudo saudades?", não disse, guardei para mim. Perguntei-lhe como estava, falámos das nossas mães e fomos até casa dele. Estivemos juntos duas vezes, mas a segunda não correu bem e fomos em silêncio embora. Uma semana depois, mandou-me mensagem a perguntar se estávamos juntos naquela tarde, eu disse-lhe que estava a trabalhar. Ele perguntou-me a que horas acabava e ficamos combinados para depois do jantar. Eram 22h30 e nem sinal dele. Mandei-lhe msg a perguntar se sempre vinha, respondeu-me a dizer que tinha estado a ver o sporting e que ainda ia tomar banho e a perguntar se eu podia no dia seguinte ao final da tarde. Disse-lhe que já podia ter dito e que no dia seguinte trabalhava de manhã à noite. Disse-me que, então, mantinhamos o combinado. Nisto já eram 23h e disse-lhe para cagar, que já era tarde. Ele ficou todo inflamado e respondeu-me torto a dizer que não percebia qual era a minha cena, que nunca tínhamos combinado hora. Disse-lhe que tinha trabalhado o dia todo, que depois do jantar contava que fosse tipo 22h/22h30, que no dia seguinte voltava a trabalhar cedo. Que não estava a reclamar, só estava a dizer que, tendo em conta o dia que tinha tido e o dia que ia ter, já estava tarde para mim. Não me voltou a responder.

Num dia normal, teria esperado o tempo que fosse preciso para estar com ele. Mesmo que trabalhasse cedo no dia seguinte, como era o caso. Mas, naquele dia, não me apeteceu fazer o esforço. Tem uma falta de consideração gigante por mim, deixa-me à espera eternamente, já me deu altas secas para a seguir me deixar pendurada, quando uma simples mensagem bastava para me avisar. E toda a cena de se ir embora sem se despedir e depois voltar e querer retomar de onde ficámos... Epa, aquilo atrofiou-me. E, depois, o só querer estar comigo depois das 23h. Nos dois meses em que estivemos juntos, foi quase sempre assim. Naquele dia não quis. Queria descansar e não me apetecia ter intimidade. 

Mandei-lhe msg a desejar um feliz natal e ele respondeu-me a desejar o mesmo. Mas foi seco, como é sempre. Sinto que continua chateado, embora ache que não tem motivo nenhum para isso. Sinto, o que sempre senti que, a qualquer momento, vou receber uma msg dele, como a que recebi há dois anos, a dizer-me que afinal não quer nada comigo e que não sente nada. E a deixar-me na merda, mais uma vez. 

As minhas amigas mais próximas dizem-me que ele não me acrescenta em nada, que não compensa e que mereço muito melhor. Que sou tão sensível e sinto as coisas de uma maneira tão bonita e estou presa a este penedo. Por estas palavras.

Gosto dele. Vi coisas nele, ainda que em pequenos vislumbres, que me fizeram acreditar que ele vale a pena. Gosto de estar com ele, sinto-me bem, mas, umas horas depois, quando já não estamos juntos, sinto-me super vazia e assim permaneço até voltarmos a estar juntos. Sinto que preciso de anos, para conhecer um pedacinho pequenino dele. O meu coração acelera, desalmadamente, sempre que recebo uma mensagem, na esperança que seja dele a querer estar comigo. Mas, depois, sinto que estou numa "relação" vazia, numa dinâmica que não é saudável, que quero muito mais do que isto. Sinto, muitas vezes, que nem amigos somos. Que ele está agarrado a uma ideia que tem de mim, e que não quer conhecer mais. Por outro lado, sinto que ele me quer conhecer melhor, mas não faz nada nesse sentido. Que eu tenho de aceitar tudo e ele não aceita nada, nem é minimamente compreensivo. Chegou a dizer-me que uma das coisas que o fez recuar, há dois anos, foi eu estar sempre a querer agradá-lo. Mas a verdade é que, quando digo alguma cena que o desagrada, ele passa-se logo.

Não sei se chego ao fim do ano com respostas. Sei que quero começar o ano com a cabeça arrumada e em paz. Não sei se vamos voltar a estar juntos ou se ele, entretanto, me diz que não quer mais. Não quero ser eu a desistir, por muito que sinta, que nunca vamos passar disto e que, sim, mereço melhor. Se desistir, desta vez, é a valer. Não volto. Nunca mais. Não sou uma pessoa carnal, sou emocional. A minha vontade de estar com ele, vem do que sinto por ele.

Enfim, a minha cabeça e o meu coração estão uma confusão.

"Fingimos que não aconteceu?"

O L. é dos amigos mais antigos que tenho, dos tempos de escola, um gajo altamente, que sempre curti. Fui crush dele, sem saber, durante o secundário e, só na universidade, quando o comboio já tinha partido, é que percebi. 

Nos últimos anos, falávamos 2 a 3 vezes por ano, só para checar o que um e outro andavam a fazer. Eu fui tendo as minhas cenas e ele as dele. Este check up anual foi se mantendo e era fixe, eu gostava desta dinâmica.

No final do ano passado, quando fui para a Polónia fazer voluntariado, começamos a falar mais, o check up passou a ser quinzenal. Uma mensagem dele já me fazia o dia e, claro, começaram os filmes na minha cabeça.

Quando estava na Polónia, disse-lhe que lhe ia trazer uma soplica (vodka polaca) e ficamos de combinar um dia, para a bebermos juntos, quando voltasse. Depois de maus timings e do segundo confinamento, este fim-de-semana, fui até à nova casa dele. Juro, pela minha vida, que não ia com intenções de nada. Ao fim de algumas horas, de muita conversa e álcool, rolaram uns beijos, por iniciativa dele. Tudo para a seguir me dizer, que namorava à distância. Levei um murro no estômago. Depois disto, tenho muitas brancas. Ele disse que só me via como amiga e eu desmanchei-me a chorar. Sei que lhe perguntei "então porquê que me beijaste?", acho que ele não respondeu. Depois começamos a discutir. Discutimos, por nunca termos admitido nada, na altura em que sentimos coisas um pelo outro. Discutimos, por já ser tarde demais. Por termos posto em causa uma amizade tão fixe. E, no meio da choradeira de bêbada, só fiz cenas.

No dia seguinte, acordei com uma ressaca desgraçada, uma dor de cabeça, que deus me livre, e com um peso gigante no peito. Ensaiei possíveis msgs a mandar, acabei por não mandar nenhuma. Foi ele quem mandou msg, a perguntar como estava, eu respondi “Com uma vergonha tão grande, quanto a dor de cabeça com que acordei”. Depois de me dizer, que não tinha porque me sentir assim, propôs: “fingimos que não aconteceu?”.

Como é que me tornei nesta gaja? A gaja com quem os comprometidos traem as namoradas. A gaja com quem nunca ninguém quer nada sério. A gaja a quem acham graça, quando são chavalos, e com quem depois, em adultos, matam a curiosidade, sendo sacanões. Não sei o que há em mim que leva os gajos a achar, que estou super na boa com cenas casuais. Não estou. Nem quero. Longe vai o tempo da descoberta e das asneiras. Só quero gostar de alguém, que goste de mim. Por mim. E não pela ideia que tem de mim. Não quero satisfazer curiosidades e ser deixada na merda.

Some, de vez

Depois de 4 meses de cura, em que consegui ficar a 80%, ele decide voltar e levar-me de volta ao zero.

Durante este 4 meses, tive esperança que ele reconsiderasse e me voltasse a falar, que percebesse que a reacção que teve não foi a melhor e quisesse, pelo menos, entender a sério o que se tinha passado e ficar bem comigo. Bem, isto é, sem ressentimentos. Que desse, pelo menos, para nos cumprimentarmos, caso algum dia nos cruzássemos na rua. Andei a contar os dias, até deixar de o fazer.

E, no sábado, sem contar, recebo uma mensagem dele: "M, até hoje não consegui perceber o que aconteceu entre nós. Queres ir dar uma volta hoje e conversar em condições?". Apanhou-me em casa depois da meia noite. Conversamos, voltei a repetir o que já tinha dito, da última vez que falamos. Que não gostava de estar por estar, que preferia andar e ver e expliquei-lhe que senti uma diferença enorme entre a primeira vez que estivemos juntos e a segunda. Se na primeira foi tudo óptimo, a segunda foi a despachar.

| Foi depois dessa segunda vez que percebi, que era um grande erro continuar com aquela "amizade colorida". Uns dias depois disse-lhe que não queria mais, que não fazia sentido para mim. A conversa descambou e ele entendeu tudo ao contrário. Ainda nos chegamos a encontrar para falar melhor, mas não adiantou de nada. |

Ele pediu desculpa. Disse que ficou muito ofendido com o que eu tinha dito, mas que já tinha percebido que tinha sido um mal entendido. Disse que não me queria magoar, mas que eu só considerava a hipótese de as coisas entre nós correrem bem e darem em alguma coisa. E ele não queria isso. Era exactamente o contrário. Eu considero sempre o pior cenário. Nunca dei certo com ninguém, porquê que haveria de dar com ele? Nem sei estar com ninguém, só sei estar sozinha. Disse-lhe isto tudo e ele no fim perguntou: "Estamos esclarecidos?" e eu respondi "Estás esclarecido?". Ele riu-se, achou o meu tom agressivo, mas engraçado. Fiquei a olhar pela janela do carro e ele continuou: "Olha para mim, porquê que não olhas para mim?". Lá olhei e ele beijou-me.

Não senti nada, mas deixei-me levar. Pouco depois, o ambiente começou aquecer e ele sussurou um "quero estar contigo". Eu afastei-me e disse-lhe: "Não vai dar". Não ia preparada. Rolou pouco mais que aquilo e no fim ainda estivemos abraçados uns largos minutos.

Ontem, três dias depois disto, manda-me sms a perguntar se vou estar cá no fim de semana. Eu a achar que ele queria combinar um dia para estar comigo, afinal era o oposto. "Queria falar contigo pessoalmente. Não faz sentido para mim continuarmos com isto. Não quero adiar o inevitável e magoar-te. Achei que ia sentir alguma coisa mais, mas a verdade é que não sinto o suficiente para continuar.”

Nunca me tinha acontecido, mas quando li a mensagem fiquei atordoada. A cabeça começou a doer-me de maneira estranha e os meus olhos deixaram de focar, senti-me tonta. Isto durou uns longos segundos. Quis responder-lhe mal, mas depois respirei fundo. E se numa primeira resposta lhe disse que não o entendia, na segunda e última disse-lhe que, pela primeira vez, estávamos na mesma página. Que ele não precisava de falar pessoalmente, que eu entendia e estava tudo bem. Foi a única maneira que arranjei de sair por cima e não me permitir voltar ao buraco negro onde andei nos últimos meses.

Para mim está resolvido.

Não sou carnal. Sou emocional.

Andava feliz da vida, a achar que estavamos na mesma página, que queriamos os dois o mesmo, com um primeiro beijo dado ao som de Tom Misch e tudo! Afinal… “M, o caqui (ou lá o raio do termo que ele usou) não é sério”.

Não contava. Nada mesmo. Muito menos depois da situação constrangedora do verão. Já me tinha convencido de que, pelo menos nos próximos 5 anos, não voltariamos a ter qualquer tipo de contacto. Por isso, aquela mensagem em janeiro apanhou-me mesmo de surpresa. Queria tomar café, fiquei meia incrédula e perguntei-lhe: “a sério?”. A questão é: para quê insistir, para quê voltar a tentar, se é só para ter uma cena que não é séria? Está comigo assim, como podia estar com outra pessoa qualquer. Diz que sempre me achou graça, mas, caramba, a graça é assim tanta que para ele compensa o "investimento" nesta cena não séria?

Gostava de ter sabido mais cedo que isto não era sério. Ainda assim, um dia depois desta conversa, deixei-me levar completamente. Há 6 anos que não estava com ninguém. Tinha-lhe falado dos meus medos e traumas e ele quis dar-me a melhor experiência possível. Já estava completamente na dele, antes de isto acontecer.

Esta história vai correr tão mal para mim. Não me dou com amizades coloridas.

Tenho que me focar no facto de ser um gajo que é mesmo meu amigo, não é alguém que conheci há meia dúzia de meses. Conheço-o há mais de dez anos e sempre nos demos bem, perdemos foi o contacto, a dada altura. Que vai ser sempre honesto e que essa honestidade vai ser tão crua que me vai magoar, como magoa sempre. Que, para mim, não é um qualquer. 

A longo prazo, o arrependimento vai ser inevitável. Não sou carnal. Sou emocional.

 

Amor? Sem um, nem outro

 

 

Estive tanto tempo solteira, anos mesmo, e, de repente, vi-me metida numa encruzilhada gigante entre duas pessoas.

 

Há coisa de dois/três meses, um amigo de longa data, o D, com quem tinha perdido contacto, convidou-me para tomar café. Fui, nervosa como tudo, já não o via há anos, e correu muito bem. Meio que fiquei pancazita por ele. Estava um homem bonito e super interessante, não costumo cruzar-me com pessoas tão interessantes como ele, e comecei a imaginar mil e uma coisas e a fazer muitos filmes...

 

Entretanto, fui trabalhar uns dias para uma cena e conheci um rapaz, o A. Era engraçadito e estava sempre a pegar com uma colega nossa mais nova, divertia-me muito ao vê-los aos dois. O trabalho acabou, foi cada um à sua vida e dei por mim a pensar imenso nele. Que nunca mais o ia ver na vida, que devia ter falado mais enquanto trabalhavamos, enfim.

 

Continuei a ir tomar café com o D e, embora para o segundo café não tenha ido tão entusiasmada como fui para o primeiro, a verdade é que correu muito bem e cheguei a casa contente. 

 

Nem uma semana tinha passado, desde que o trabalho tinha acabado, e eu e o A começamos a falar e, desde esse dia, nunca mais paramos. Fomos tomar café, achei-o um tone e, enquanto lá estava, percebi que nunca ia haver nada, que afinal não lhe achava assim tanta piada. Continuamos a falar e eu meio que ignorei o que senti no café.

 

O D não dava sinais nenhuns de estar para aí virado e fiquei a achar que era só mesmo a cena de sermos amigos e comecei a pôr de parte qualquer interesse que pudesse ter por ele, até porque só tomavamos café uma vez por mês e nunca falavamos a não ser para os marcar.

 

Certo dia, eu e o A fomos trabalhar juntos, calhou, chamaram-nos aos dois, e todo aquele ambiente de trabalho deu-me pica. A piada que não lhe tinha achado no dito café, naquele dia estava ao rubro. Levou-me a casa no fim, tranquilo, e convidou-me para sair no dia seguinte. 

 

No dia seguinte, acabou por se dar o beijo, que deu inicio às coisas. 

 

Andávamos há 2 semanas, quando o A foi um mês para fora. Durante esse período, o D voltou a convidar-me para tomar café. O café correu muito bem, falamos imenso sobre imensa coisa e no fim quis ir dar uma volta. Estávamos no carro a caminho e eu rezava para que fosse filme meu e que ele não tivesse interesse nenhum. Saiu-me o tiro pela culatra. Depois de muito conversarmos, aproximou-se de mim e quase me beijou. Parei-o a tempo. 

 

Ele não percebeu e eu não sabia como explicar. Disse que estava tudo bem e perguntou-me se não queria. E eu perguntei-me o mesmo: quero ou não quero? O que raio é que eu quero? A verdade é que o D é o mais parecido com o que sempre quis. É super culto, interessante, bonito, mas o A existe e eu não sei lidar com esta situação. Escolhia um em detrimento do outro? Se fizesse um prós e contras o D ganhava, mas o A dá-me segurança e vontade de estar, por outro lado, não me estimula e acrescenta a cultura que o D tem para dar e para vender e isso para mim é tão importante.

 

Tanta indecisão fez-me perceber que não estou bem com nenhum, que o melhor mesmo é continuar sozinha. 

Isto do amor

 

Há pessoas que têm tanto azar... E não estou a falar de mim, que nem ao trabalho de conhecer pessoas me dou. Estou a falar daquelas que tiveram uma má experiência, que demorou a curar e, quando finalmente decidem voltar a tentar, corre tudo mal, outra vez (aqui insiro-me um bocado, vá). Achamos que a pessoa vale o risco, mas não vale. 

 

Tenho uma amiga que andou com um rapaz, durante um ano. Certo dia, o dito rapaz contou-lhe que namorava. Andava com duas raparigas ao mesmo tempo. Mas, no meio disto tudo, sentiu-se mal por ela e por isso é que lhe contou tudo, mas à namorada, nem uma palavra. Passaram-se dois anos, e, recentemente, esta minha amiga começou a sair com um antigo colega. Andava toda encantada, mas a levar as coisas com calma. Ontem foram sair, num grupo grande de amigos, e, a meio da noite, o gajo desapareceu com uma brasileira. Andavam há coisa de um mês, qual era a necessidade? 

 

Nunca entendi a traição. Nunca entendi, até estar numa relação sem futuro e mil coisas me terem passado pela cabeça. Mas nunca traí e acho que seria incapaz de o fazer. Mas consigo entender melhor uma traição numa relação com algum tempo, que já não está a correr bem, do que numa que está a começar. Não há desculpa para nenhuma, seja qual for o contexto, mas acho que entendo melhor.

 

O primeiro e único namoro, que tive até hoje, durou menos de 5 meses. Desde então, nunca mais me comprometi com ninguém. E eu sei que o problema é meu. Gosto demasiado de mim e de estar sozinha. Não consigo estar plena e feliz com alguém. Acho que não dependo de ninguém para me sentir realizada. Mas, a verdade é que, da última vez que estive com alguém de quem gostava, me senti feliz como nunca antes tinha sentido. Nem sozinha. E, lá no fundo, acredito mesmo que cada panela tem o seu testo. 

 

Estas coisas do amor ultrapassam-me, são demais para a minha cabeça. É um bocado como pessoas, que não conseguem estar sozinhas. Que o máximo que aguentaram solteiras foram uns três meses, que lhes pareceu uma eternidade. Não entendo como é que alguém consegue saltar de relação em relação. E não falo de relações curtas, falo das longas. Pessoas que saltam de uma longa relação para outra, sem tirarem tempo para si próprias, sem aprenderem a estar sozinhas e bem. São pessoas que amam em demasia? Que tem muito amor para dar? Não entendo.

Está quase a fazer um ano

 

 

Está quase a fazer um ano que tomamos o primeiro café. E está quase a fazer um ano que, aquilo que eu acreditava ser uma coisa especial, desmoronou. Está quase a fazer um ano e não consigo desligar dele. Não consigo não pensar e pior, não paro de sonhar. Conheci uma pessoa, há coisa de um mês, e a minha panca piorou. Voltaram os sonhos, que tinham deixado de existir, há meses. Não consigo desligar e estou a dar em maluca. Como é que é possível que um romance tão curto, que pouco avançou, me tenha afectado tanto? E porquê que a pessoa que conheci e em quem não estou interessada me reavivou tanto o kedi? Tento não pensar nele e, por breves momentos, consigo, mas há sempre alguma coisa que me lembra. Quando houve clique, fica difícil avançar.

Desfasamento

Afinal, há resposta! O problema é o desfasamento! É ele já ter muita pedalada e eu não ter nenhuma, é ele já ter estado com centenas de gajas e eu só com um. Já não me diz que sou uma 'rapariga bonita', mas sim uma 'menina linda'. E sou 'do caralho'!

- 'Não há volta a dar?'
- 'Se te disser que sim é uma merda, se te disser que não é uma merda na mesma, por isso digo-te que não.'

"Temos uma química fodida"


Melhor maneira para se ultrapassar o que for: tentar retirar alguma coisa disso. Uma lição, uma aprendizagem. O quê que retiro da história do outro burro, depois de ficar a saber que voltou a estar com a amiga colorida? Que fiz muito bem em manter a distância, quando nos estavamos a conhecer. Que se não foi, era porque não era para ser. Que gajo nenhum merece a dor que sinto, que a vontade de chorar ainda vai demorar a passar. Que uma noite de copos com os amigos, tão cedo não é divertida. Aquele otário que reconhece que "temos uma quimica fodida", mas não quer nada comigo, não percebo. É um gajo atrofiado. A quantidade de cenas que me dizia e agora vou a ver, enfim. Diz que me respeita muito e que sempre foi honesto e correcto comigo. Levou-me a pensar que tinhamos futuro, e depois, sem eu contar, acaba o que temos e volta à vida que tinha, com a 'amiga'. Fogo, não percebo.


Ontem frequentamos o mesmo espaço, fui ter com ele e ele ficou contente. Falou da tal química e do meu cheiro, que sempre elogiou. Não falei a ninguém do que sentia, mas toda a gente percebeu, pessoal que mal conheço e que o conhecem a ele. Incentivaram-me a chegar à beira dele e a espetar-lhe um beijo, obviamente que não o fiz. Estava com os copos e antes já o tinha estado a provocar. Percebi que ele se estava a sentir incomodado por estar próxima e agarrei-lhe a camisola, ele não gostou e foi-se embora. Não ia fazer nada, queria afectá-lo. Queria tentar provocar alguma coisa que o levasse a reconsiderar. Se temos essa "quimica fodida" como ele diz, se sempre nos demos bem, porquê que este estúpido não quer mais nada? Ele próprio me disse "sou um traste" e é mesmo.

Tem 28 anos, quase 29, diz que quer assentar, que sentiu alto clique comigo, atrofia porque supostamente vai emigrar, acaba a nossa cena, volta para a vida que tinha e para o relacionamento colorido. 'Relacionamente' esse que supostamente acabou, porque tinha de ser, independentemente da minha existência, porque ela gostava dele a sério e ele não e mais tarde ou mais cedo aquilo ia acabar mal para alguém. Fico um mês à espera que ele resolva as cenas com ela, para podermos estar bem, lá resolve, fico-me a sentir pior que mal, por causa da rapariga e afinal, quem se fodeu no meio desta história toda fui eu. E mais, já nem sabe se vai a algum lado, e eu tenho quase a certeza que não vai. Espero que ainda mude de ideias e vá, que vá para o raio que o parta, mas que vá para longe.

Eu não merecia isto. Detesto o engate, o conhecer alguém, o não saber no que vai dar, o estar por estar, detesto isso tudo. Não procuro o amor em quem que se cruza no meu caminho, não procuro porra nenhuma. Vivo a minha vida e o que acontecer, acontece. Ás vezes custa-me cair em mim e penso que a culpa é minha. Por não ter mostrado o que era, por não me ter dado a conhecer o suficiente para ele ficar. Eu sei o que valho. Tento acreditar que, tal como um amigo meu me disse há uns dias "se formos fixes vão aparecer pessoas fixes". Simples assim. Sei bem que não posso viver em função de ninguém e muito menos deixar depender a minha felicidade de alguém. Mas está-me a custar tanto. Porquê que não me deixou estar na minha cena e a continuar a acreditar que jamais olharia para mim? Porquê que olhou, tentou, conseguiu e pôs fim ás coisas, assim? Não percebo. Detesto não perceber. E não me saiem da cabeça as palavras do melhor amigo dele a falar de mim "é a tua cara".