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Lazy Lover Undercover

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A novela que é a vida da minha mãe

A minha mãe tem uma história de vida que parece uma novela. Nunca conheceu o pai, só viveu com a mãe até aos 4 anos e depois foi para uma instituição, onde esteve até aos 20 e tal anos, e por onde passou coisas que nem imaginadas. A cada história que me conta, o meu coração aperta mais. Já a aconselhei a escrever sobre esses mil episódios porque passou, acho sinceramente que ia ser uma boa terapia para ela.

 

Ontem, uma prima da terra ligou-lhe e deu-lhe uma grande novidade sobre o pai e sobre a familia dele.

 

A versão que se conhecia até agora era que o pai da minha mãe tinha ido para o Brasil, quando a minha mãe nasceu, e nunca mais tinha voltado. Parece que afinal a história não é bem assim. A minha avó veio do Brasil para Portugal grávida da minha mãe. O meu avô, que era português emigrante no Brasil, não pôde vir logo. Quando já tinha tudo pronto para vir, soube que a minha avó andava metida com um familiar dele e ficou com um desgosto tão grande que não chegou a vir. E nunca mais voltou. 

 

A verdade é que agora os meios irmãos brasileiros da minha mãe a querem conhecer.

 

A minha mãe está curiosa e bastante entusiasmada, embora diga que não. Acredito que esta nova versão dos factos lhe tenha trazido algum alívio e paz, por perceber que a história estava mal contada e que o pai dela até nem era má pessoa.

 

28 anos de casados

Os meus pais fizeram este domingo 28 de casados. Para tristeza da mãe, o meu pai nem se lembrou. Foi passear sozinho e não a deixou ir com ele. Voltou muito contente com as relíquias literárias que tinha conseguido arranjar, e a continuar sem se lembrar.

 

Entretanto a minha mãe contava-me como tinha sido triste o dia de casamento até à hora de casar.

 

Estar casado não é para qualquer um. É preciso gostar mesmo muito para se ultrapassar estas falhas, que para um podem ser pequenas, mas para o outro são dolorosas. Mas é isto o amor? É só haver esforço da parte de um? Acho que o meu pai não tem consciência da mulher que tem ao seu lado. Ela põe sempre a felicidade e necessidades do outros acima das suas e é incrível como ele nunca reconhece o seu valor. 

A prepósito do dia da mãe

Dei por mim a pensar em como seria, se a minha mãe morresse... Eu acho que o meu mundo desabava. É aquela pessoa com quem não me imagino mesmo a viver sem... Faz-me muita falta.

 

É graças a ela que, apesar dos problemas todos que já tivemos, a nossa familia continua quase unida. Ela é o pilar desta "casa defeituosa", é o pilar que nos mantém de pé. Posso ter muita razão de queixa dela, que não me dá atenção e que pelo contrário me ignora constantemente, e chego mesmo a pensar que eu sou a única dos quatro (somos 4 irmãos) que ela toma por garantida, daí o facto de não se preocupar tanto comigo. Mas é custoso pensar nisto, porque sou a unica rapariga e sou a mais nova, e se calhar, em tempos, precisei de determinadas palavras e apoios que ela e toda a gente me foram incapazes de dar, mas ela, como mãe, sinto que tinha a obrigação de ter estado lá para mim. Não é por eu ter um grande sucesso escolar, nunca me meter em problemas e de fazer o que ela me pede, que não tenho problemas de vez enquando, isso não significa que estou sempre bem e que não preciso de atenção. Por cada vez que ela me ignora, é como se eu fosse brutalmente atirada para o chão, uma parte de mim morre aos poucos...

 

 

Aqui, encontro a explicação para ser como sou: fria, arrogante e indiferente perante tanta porcaria que acontece.

 

No entanto, encontro motivos para ela ser assim comigo, tenho a necessidade de procurar motivos que lhe deem tal razão...

 

Mas  apesar de tudo:

 

Dói pensar, que um dia, a vou perder...