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Lazy Lover Undercover

Lazy Lover Undercover

O susto

Este ano a passagem de ano só se festejou no dia dos reis. O meu pai voltou para casa nesse dia e fizemos a nossa festa, com direito a foguetes e tudo.

 

Depois do susto, as coisas acalmaram. Ainda não voltou ao trabalho, o mínimo esforço deixa-o tonto, ainda vai demorar a recuperar. O que interessa é que está em casa e que aos poucos vai melhorando.

 

Cada vez mais acredito que as coisas acontecem por um motivo. A minha mãe disse-me que se não fosse eu, o meu pai tinha morrido. Cheguei a casa na hora H. Depois de uma semana a ir dormir às 22h, naquela noite fui sair e só cheguei a casa por volta das 02h30. E antes de subir ainda ajudei o meu irmão a carregar umas coisas. Ele tinha lá estado 5 minutos antes e estava tudo bem. Quando cheguei o meu pai chamou pelo nome do meu outro irmão, achava que era ele que tinha chegado. Fui ao pé dele dizer-lhe que tinha sido eu a chegar e não ele. O meu pai disse-me que estava muito mal disposto e estava cheio de dores e pediu-me para ir acordar a minha mãe. Já estava a chamar por ela há uns minutos, mas ela ferrada no sono, não o ouvia. Numa questão de minutos o meu pai começou a desfalecer. Liguei para os meus irmãos e para o 112. O primeiro não me atendia o telefone, o segundo nunca mais chegava e a ambulância demorou uma eternidade, quase 30 minutos, a chegar. E neste filme todo, o meu pai entrou em convulsões.

 

De casa ao hospital foi outro filme, os paramédicos não arrancaram logo, ainda estiveram um tempo à espera antes de arrancarem. Uma vez no hospital foi outra eternidade para entrar nas urgências. 


A primeira noite foi critica, embora na altura eu ainda não tivesse bem a noção. Quando finalmente pudemos ver o meu pai, o enfermeiro que o acompanhava fez muita força para que ficassemos lá com ele. A minha mãe assumiu aquilo como uma despedida, como se já não houvesse nada a fazer e nos estivesse a ser dada a possibilidade de dizer adeus. 

 

O dia seguinte foi dificil. O a seguir também. O enfermeirou disse-nos que, se por acaso não houvesse cá um hospital e tivessemos de ir ao hospital da cidade mais próxima, que é a cerca de 30 minutos, o meu pai não se safava. 

E é assim, quando achamos que está tudo bem, vem a vida dar-nos uma chapada destas para nos relembrar que não podemos baixar a guarda, nem tomar nada como garantido.