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Lazy Lover Undercover

Lazy Lover Undercover

Encaralhanços

Festa da cidade. Corro três casas de banho, todas elas à pinha, e sugiro, por fim, à minha amiga irmos a um café aleatório lá na zona, que de certeza que não ia ter fila. Estou à porta da casa-de-banho à espera da minha vez e quem é me aparece à frente, acabado de sair da casa-de-banho dos homens? O kedi. Fiquei meia encaralhada, sem saber o que dizer e para quebrar o silêncio constrangedor disse a coisa mais estúpida que me veio à cabeça: "ganga com ganga?" -.- Não o via há séculos e a primeira coisa que me ocorre fazer é pegar com a roupa dele e dizer é isto? Ai que idiota.

Segredos

Sou um túmulo. Os segredos dos outros não saem de mim, apesar de já pesarem bastante. Com os meus tenho outra liberdade. Mas se há segredos que demorei 15 anos a conseguir revelar a alguém, e que explicam parte da minha personalidade e dos meus traumas, há outros que continuam enterrados e nem o álcool um dia será capaz de mos fazer revelar. Há coisas que magoam mais depois de contadas, até lá vão ficando meias adormecidas, como se não fossem verdade.

Cabo Verde tem encanto

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Viajei para Cabo Verde e que bofetada gigante levei. Foram duas semanas na Ilha de Santiago, em duas cidades diferentes, a viver uma realidade distante da minha: a escassez de água e de comida, o povo que, quanto menos tinha, mais nos dava, as paisagens de cortar a respiração, o funaná que tocava de manhã à noite, as batucadeiras enérgicas, as tartarugas enormes a desovar, os milhares de coqueiros e bananeiros que acompanhavam as viagens de hiace, e a sintonia entre vacas, porcos, cabritos, cães, burros e gatos.

 

Foram duas semanas que podiam ter corrido muito mal, mas que correram muito bem. O primeiro dia em Santa Cruz foi um choque cultural enorme. Apesar de todos os avisos, não ia preparada para o que encontrei. A zona onde fiquei era bastante pobre, havia carradas de construções, em fase inicial, ao abandono, dezenas de cães vadios em estado de magreza extrema e mal tratados e muitos miúdos de rua. Apesar de tudo, Santa Cruz tinha lugares lindíssimos, a praia era de areia preta e as crianças eram umas fofas e ficavam impressionadas com a cor da nossa pele e com o nosso cabelo e queriam sempre tocar-nos e fazer-nos tranças.

 

No Tarrafal já foi tudo diferente. Já não víamos as crianças e os animais como havíamos visto em Santa Cruz. A cidade estava mais bem tratada e em termos turísticos estava bem mais desenvolvida. O principal ponto de visita era o Campo de Concentração, para onde eram enviados os presos politicos no tempo da ditadura, e a praia, que tinha como fundo a montanha Graciosa, em forma de elefante. 

 

Ainda assim, o que me conquistou realmente em Cabo Verde foi a música. Respira-se música lá! E não falo do funaná, falo dos ritmos quentes, falo dos guitarristas que deixam qualquer um abananado, caramba, eu ficava lá, só para poder assistir a actuações daquelas.

 

Hei-de voltar e até mais cedo do que imagino.

 

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Hoje não gosto de mim

Hoje não gosto de mim. Tenho a mania de me pôr de parte em tudo e, só depois de o mal estar feito, é que percebo que só me prejudico com esta mania. Ninguém sabe quem sou, o que faço, que ambições tenho. Passo ao lado a toda a gente. Aprendi há uns anos que, quando saio desta concha, quando me obrigo a sair da minha zona de conforto, vivo mais, mais feliz e de modo mais intenso. Mas parece que desaprendi. Vejo o tempo a passar e eu a não fazer nada do que quero, sempre com obrigações aborrecidas, que em nada me realizam. 

Fica a dúvida

Engracei com um amigo dos meus irmãos. Não que seja a primeira vez, mas desta vez é diferente. Quando era pequena, achava piada a toda a gente, agora a história é outra. Já o conheço de vista há muitos anos, embora não o visse há muito tempo. Andou com um dos meus irmãos no infantário e tocou, mais recente, com um outro irmão meu num projecto. Não sei se ele esteve, até agora, sem saber quem eu era. Faz sentido que assim seja. Não me conhecia, alguém lhe disse de quem era irmã e, a partir daí, passou a cumprimentar-me sempre, e com muita simpatia. Apesar de nos termos cruzado excessivamente esta semana que passou, num contexto específico, não sei se seria o suficente para, de repente, ser tão simpático. Bem, fica a dúvida.

Felicidades de queima

 

Hoje, com toda a certeza, estou melhor que na semana passada, no mês passado e muito melhor do que há um ano atrás. Perdi os 8 quilos que ganhei, naquela fase estúpida da minha vida, deixei de roer as unhas, vício gigante que tinha, e estou mais confiante. 

 

O melhor da queima é encontrar pessoal que já não vejo ao tempo. Álias, a queima permite-me, pelo menos uma vez por ano, reencontrar as pessoas com quem dantes passava os meus dias: os meus colegas de escola que, para todos os efeitos, partilharam 8 anos de vida comigo. E é sempre uma festa. Falam-me dos desgostos amorosos que estão a viver, perguntam se já pus gosto na página da equipa onde jogam e querem saber como vai a vida e quais são os planos para o futuro.

 

Reencontrei, ainda, um amigo, com quem há uns anos tive um filme. Quando tinhamos 12 anos, tivemos um namorico, daqueles mesmo de criança, onde se mandam muitas cartas e sms's e nunca se dá sequer um beijinho, ou um abraço. Acontece que a vontade, mas mais a curiosidade, durou até entrarmos na universidade e só foi desfeita, há precisamente 2 anos, nesta mesma semana. Atravessou a multidão, quando me viu, de sorriso rasgado. Queria saber como estava e como estavamos, se o filme tinha afectado de alguma maneira o modo como o via e como estava com ele. Nada disso. Se houve vez em que não houve drama nenhum, foi esta. Depois falamos da vida e soube bem. É tão bom estar bem com as pessoas, sem stresses desnecessários e melhor: é tão bom estarmos na mesma página.

 

Estas conversas, apesar de se terem desenrolado com álcool à mistura, fizeram-me sentir bem. Para alguém que, durante um ano, não tinha vida, suscitar interesse é bom. Fartei-me de receber elogios, fartaram-se de me perguntar o nome e eu sei que o álcool ajudou a que tudo isso tivesse lugar. Ainda assim, um elogio, quer se queira quer não, faz uma pessoa sentir-se bem. Claro que temos de ter o discernimento de os saber distinguir. A eles e às suas intenções.

A mais bela vitória de sempre

 

Isto é que foi sofrer até ao último minuto! Pensei que não ia viver tempo suficiente para ver Portugal ganhar o Eurovisão. Mas aconteceu! E chorei de alegria. Para o ano, estou em Lisboa, batidinha para o festival.

 

Quando era miúda, e já adepta ferrenha do festival da canção, tinha o sonho de representar Portugal, um dia. Doía-me tudo, quando via as paroladas que enviávamos. Quando foi a Vânia Fernandes, ainda tive alguma esperança, mas não tivemos hipótese e, ainda hoje se diz, por essa Europa fora, que, nesse ano, fomos muito roubados. Mas a vida continua e 9 anos depois aqui estamos nós: vencedores do Eurovisão!

 

Ainda estou parva. É incrível, como é que países, que nunca nos deram sequer um pontinho, nos deram, desta vez, 12. E é incrível, como é que a Itália, que era a grande favorita, ficou em sexto lugar. Impressionante a força do Salvador e da Luísa e de "Amar pelos dois". Não só não houve quem lhe ficasse indiferente, como ainda arrancou muitas lágrimas aos artistas dos outros países. Mas o mais incrível de tudo, é que não se deixou que o aparato todo do palco e do cenário, abafasse a razão de ser do festival: a música. Quer isto dizer, que, apesar das más linguas, já está toda a gente farta de poluição sonora. Este ano ganhou a música. Líndissima, simples e em português. 

 

Foi um festival do caraças. Adorei a canção da Bélgica, mas em versão de estúdio. Em palco, a rapariga parecia que ia ter um ataque de pânico, revi-me muito nela. E gostei muito da da Hungria. Também achei graça à da Croácia, o gajo cantava bem e fez um dueto com ele próprio. A da Bielorrússia surpreendeu-me pela alegria e da Suécia pela preparação da performance. As piorzinhas acho que foram mesmo a da Grécia, que nem percebi como é que passou à final e a de Montenegro, toda ela wtf, nomeadamente aquela dança com a trança. Mas, concluindo, foi mesmo um festival do caraças e só tenho pena que a grande maioria opte por cantar em inglês, em vez da língua materna, acho que só se perde.

 

"Amar pelos dois" é assim uma enorme lufada de ar fresco, uma composição linda, com uma voz que derrete. O Salvador disse tudo: "music is not fireworks, music is feeling!". 

 

Quando for grande quero ser a Luísa Sobral.

Isto do amor

 

Há pessoas que têm tanto azar... E não estou a falar de mim, que nem ao trabalho de conhecer pessoas me dou. Estou a falar daquelas que tiveram uma má experiência, que demorou a curar e, quando finalmente decidem voltar a tentar, corre tudo mal, outra vez (aqui insiro-me um bocado, vá). Achamos que a pessoa vale o risco, mas não vale. 

 

Tenho uma amiga que andou com um rapaz, durante um ano. Certo dia, o dito rapaz contou-lhe que namorava. Andava com duas raparigas ao mesmo tempo. Mas, no meio disto tudo, sentiu-se mal por ela e por isso é que lhe contou tudo, mas à namorada, nem uma palavra. Passaram-se dois anos, e, recentemente, esta minha amiga começou a sair com um antigo colega. Andava toda encantada, mas a levar as coisas com calma. Ontem foram sair, num grupo grande de amigos, e, a meio da noite, o gajo desapareceu com uma brasileira. Andavam há coisa de um mês, qual era a necessidade? 

 

Nunca entendi a traição. Nunca entendi, até estar numa relação sem futuro e mil coisas me terem passado pela cabeça. Mas nunca traí e acho que seria incapaz de o fazer. Mas consigo entender melhor uma traição numa relação com algum tempo, que já não está a correr bem, do que numa que está a começar. Não há desculpa para nenhuma, seja qual for o contexto, mas acho que entendo melhor.

 

O primeiro e único namoro, que tive até hoje, durou menos de 5 meses. Desde então, nunca mais me comprometi com ninguém. E eu sei que o problema é meu. Gosto demasiado de mim e de estar sozinha. Não consigo estar plena e feliz com alguém. Acho que não dependo de ninguém para me sentir realizada. Mas, a verdade é que, da última vez que estive com alguém de quem gostava, me senti feliz como nunca antes tinha sentido. Nem sozinha. E, lá no fundo, acredito mesmo que cada panela tem o seu testo. 

 

Estas coisas do amor ultrapassam-me, são demais para a minha cabeça. É um bocado como pessoas, que não conseguem estar sozinhas. Que o máximo que aguentaram solteiras foram uns três meses, que lhes pareceu uma eternidade. Não entendo como é que alguém consegue saltar de relação em relação. E não falo de relações curtas, falo das longas. Pessoas que saltam de uma longa relação para outra, sem tirarem tempo para si próprias, sem aprenderem a estar sozinhas e bem. São pessoas que amam em demasia? Que tem muito amor para dar? Não entendo.

Estágio: c'est fini

 

Custou acordar cedo e fazer 3 horas de viagem por dia. Custou o dinheirão que gastei em passes e em refeições. Custou "levar nas orelhas", mais do que uma vez, por coisas que nem fui eu a fazer, mas que, por ser estagiária, não fazia mal ser eu a "ouvir"..

Apesar de tudo, saí satisfeita. Sei que, para a maioria das pessoas, lhes fui completamente indiferente, fui só mais uma estagiária. Mas, apesar disso, senti estima por parte daqueles com quem trabalhei mais directamente. Senti-me útil mas, mais que tudo, senti-me valorizada. E querida, quando, até a cozinheira da empresa, se emocionou, por me vir embora, e me disse que ia ter saudades minhas.

 

Sei que, ao nível da técnica, não aprendi grande coisa. Mas valeu a pena, porque aprendi a funcionar em ambiente profissional, aprendi a resolver os problemas que me iam surgindo, sem ter de pedir ajuda, e inteirei-me melhor das relações entre diferentes áreas.

 

Sei, perfeitamente, que lhes dei jeito, para cobrir trabalhos, quando alguém ia de férias, mas também sei que não há lugar para mim ali, no quotidiano.

 

Estou bem, satisfeita e confiante de que dei sempre o melhor de mim.

Um caso de amor

Preciso de dizer isto: adorei, adorei, adorei a música que o Noiserv compôs para o Festival da Canção. Sou suspeita, porque sou grande fã do homem, mas caramba. A música é completamente ele, não engana, não se faz passar por nada e a rapariga que a interpretou, a Inês Sousa, foi, de longe, a pessoa mais afinada e segura da semi-final toda, a par com o Salvador Sobral, que também esteve soberbo.

 

Percebo que não agrade a todos, mas ser a menos votada tanto pelo júri como pelo Público? Como? Eu do público já espero tudo, mas do júri? Em quem tinha tanta expectativa depositada este ano? Não esperava. Muito menos depois da semi-final passada em que concordei com grande parte dos resultados.

 

Se convidam compositores e músicos diferentes, para modernizar um bocado o festival, por quê que insistem em votar em canções que não inovam em nada? É só fogo de vista? Foi o que pareceu, ontem.

 

Há quem vibre com o futebol, eu vibro com o festival da canção. E pronto, era só isto.